Na eleição mais violenta de sua história, México elege presidente antissistema

Com 52,8% dos votos, Andrés Manuel Lopez Obrador (também conhecido pela sigla AMLO) venceu as eleições presidenciais no México, neste domingo (1º de julho). O segundo mais votado, Ricardo Anaya, advogado, atingiu apenas 23,8% dos votos, tamanha foi a vitória do veterano candidato de 64 anos, que se tornará presidente após duas tentativas fracassadas.

Obrador faz parte do Movimento Nacional de Regeneração (Morena), um partido que se diz antissistema e que promete fazer mudanças profundas no país. Durante a campanha, o candidato já havia anunciado que concorria pela moralização do país, que vem enfrentando casos de corrupção nos últimos anos. No espectro político, o movimento caracteriza-se como de esquerda – talvez o partido mais à esquerda que o país terá visto governar até agora.

O futuro presidente sempre tentou parecer levar uma vida simples e honesta, imagem que pretende utilizar para transformar o México. Continuar a morar no seu apartamento pessoal e transformar a residência presidencial num centro cultural são dois atos diversas vezes citados no curso da corrida presidencial. Obrador também já anunciou que vai preparar propostas de aumento do salário mínimo, de maior oferta de bolsas de estudo, de acessibilidade à internet para todos, e de autossuficiência alimentar.

O que será do Nafta?

Apesar da nítida incompatibilidade com Donald Trump, Obrador já disse que não pretende deixar o Nafta, mas que um aperfeiçoamento das relações entre os seus integrantes seria o movimento ideal a ser feito. Donald Trump disse em sua conta do Twiter que não vê a hora de conversar com o novo presidente.

Michel Temer se manifesta

O presidente brasileiro soltou uma nota parabenizando o recém-eleito presidente pela vitória, afirmando que a amizade entre Brasil e México é estreita e antiga.

Em nota, o Itamaraty afirmou que “o governo brasileiro manifesta sua expectativa de trabalhar com as novas autoridades mexicanas em prol do fortalecimento e da ampliação das relações bilaterais e de nossa cooperação nos planos regional e internacional”.

Campanha mais violenta

Levantamento feito pelo instituto mexicano Etellekt aponta que pelo menos 145 políticos ou ativistas envolvidos com as eleições foram assassinados no país. Fazem parte desse número 48 candidatos ou pré-candidatos. São os maiores números de todos os tempos, levando os especialistas, então, a classificar as eleições de 2018 como as mais violentas em território mexicano.

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